Saúde Mental: não é preciso chegar ao limite para pedir ajuda
Quando pensamos em saúde mental, é comum imaginarmos dois extremos: ou estamos bem, ou temos uma perturbação psicológica. Mas, na realidade, existe muito espaço entre uma coisa e outra.
Podemos continuar a trabalhar, cuidar da família e cumprir todas as obrigações e, ainda assim, sentir que alguma coisa dentro de nós não está bem. Talvez andemos mais irritáveis, cansados ou ansiosos. Talvez tenhamos dificuldade em desligar os pensamentos, em dormir ou em sentir prazer nas coisas de que antes gostávamos.
Por fora, a vida continua. Por dentro, tudo começa a pesar mais.
Ter saúde mental não significa estar sempre bem
Cuidar da saúde mental não significa viver permanentemente feliz, calma ou motivada. Todas as emoções fazem parte da experiência humana, incluindo a tristeza, o medo, a frustração e a ansiedade.
As emoções não são um problema que precisamos de eliminar. São respostas que nos dão informação sobre aquilo que estamos a viver, sobre as nossas necessidades e sobre a forma como interpretamos o que acontece à nossa volta.
A dificuldade surge quando certas emoções se tornam demasiado intensas, frequentes ou prolongadas e começam a interferir com o sono, o trabalho, as relações ou a capacidade de cuidarmos de nós.
Aprender a reconhecer, compreender e gerir estas respostas faz parte da nossa regulação emocional. Não se trata de controlar tudo o que sentimos, mas de desenvolver formas mais ajustadas de lidar com aquilo que sentimos.
Nem sempre percebemos que estamos em sofrimento
Muitas pessoas habituam-se a funcionar em esforço. Continuam a fazer o que é necessário, mesmo quando estão emocionalmente exaustas.
Dizem a si próprias:
“É só uma fase.”
“Há pessoas com problemas piores.”
“Tenho de conseguir lidar com isto sozinha.”
Mas o sofrimento não precisa de ser extremo para ser legítimo. E não precisamos de esperar por uma crise para começar a cuidar de nós.
Alguns sinais merecem atenção:
- preocupação constante ou dificuldade em desligar os pensamentos;
- irritabilidade e impaciência mais frequentes;
- alterações do sono ou do apetite;
- sensação de cansaço que não melhora com o descanso;
- perda de interesse ou de prazer;
- dificuldade de concentração;
- vontade de nos afastarmos das outras pessoas;
- sensação de estarmos sempre em esforço ou perto do limite.
Estes sinais não significam necessariamente que exista uma perturbação psicológica. Podem, no entanto, indicar que alguma coisa precisa de ser compreendida e cuidada. Quando a sobrecarga se prolonga, pode contribuir para um estado de cansaço emocional e burnout.
Pedir ajuda não é sinal de fraqueza
Há momentos em que as estratégias que usamos habitualmente deixam de ser suficientes. Não porque sejamos fracos, mas porque todos temos limites e porque nem sempre conseguimos observar com clareza aquilo que estamos a viver enquanto estamos no meio da dificuldade.
O acompanhamento psicológico permite compreender padrões de pensamento, emoções e comportamentos que podem estar a manter o sofrimento. É também um espaço para desenvolver estratégias mais ajustadas à história, às necessidades e ao ritmo de cada pessoa.
Não existem fórmulas mágicas nem soluções iguais para todos. A mudança psicológica constrói-se através da compreensão, da consciência e de pequenas mudanças consistentes.
Cuidar da saúde mental pode começar muito antes de chegarmos ao limite. Às vezes, começa simplesmente quando reconhecemos: “Não tenho de continuar a lidar com tudo isto sozinha.”
Se sentes que a ansiedade, o stress, a tristeza ou a sobrecarga emocional estão a ocupar demasiado espaço na tua vida, posso ajudar-te a compreender o que estás a viver e a encontrar formas mais ajustadas de lidar com isso.
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