Ansiedade ou Stress: como distinguir e quando procurar ajuda
Coração acelerado, tensão muscular, dificuldade em dormir, pensamentos que não desligam e uma sensação constante de inquietação. Estes sintomas podem surgir tanto na ansiedade como no stress, o que torna difícil perceber a diferença.
“Estou ansiosa ou apenas muito stressada?”
Na realidade, não existe sempre uma separação clara. Ansiedade e stress podem surgir ao mesmo tempo e alimentar-se mutuamente. Ainda assim, compreender as diferenças pode ajudar-te a perceber melhor aquilo que estás a viver.
O que é o stress?
O stress é uma resposta do organismo perante uma exigência, pressão ou desafio. Geralmente, conseguimos identificar aquilo que o está a provocar.
Pode surgir devido a:
- excesso de trabalho;
- dificuldades financeiras;
- conflitos familiares;
- problemas de saúde;
- mudanças importantes;
- falta de tempo;
- acumulação de responsabilidades;
- necessidade de tomar decisões difíceis.
Perante estas exigências, o organismo mobiliza recursos para responder. Podemos ficar mais atentos, rápidos e preparados para agir.
Em alguns momentos, esta ativação é útil. O problema surge quando as exigências são demasiado intensas ou se mantêm durante muito tempo, sem existirem oportunidades suficientes para recuperar.
Nessas situações, o stress pode contribuir para irritabilidade, alterações do sono, dificuldade de concentração e cansaço emocional e burnout.
O que é a ansiedade?
A ansiedade também é uma resposta de alerta, mas está frequentemente relacionada com a antecipação de uma possível ameaça.
Pode surgir através de pensamentos como:
“E se alguma coisa correr mal?”
“E se eu não conseguir?”
“E se acontecer alguma coisa a alguém?”
“E se os outros perceberem que estou nervosa?”
Ao contrário do stress, nem sempre é possível identificar um problema concreto que explique a intensidade da ansiedade. A preocupação pode manter-se mesmo quando a situação já terminou ou quando, racionalmente, sabemos que o perigo é pouco provável.
A ansiedade leva-nos a tentar antecipar todos os cenários, procurar garantias e controlar aquilo que não conseguimos prever. Quanto maior é a incerteza, maior pode tornar-se a necessidade de encontrar uma resposta imediata.
Então, qual é a diferença entre ansiedade e stress?
A principal diferença está na relação com a origem da ameaça.
No stress, existe geralmente uma exigência externa identificável. Quando essa exigência diminui ou é resolvida, a ativação tende também a reduzir.
Na ansiedade, a ameaça pode ser antecipada, incerta ou difícil de identificar. Mesmo quando não existe um perigo imediato, a mente e o corpo continuam em estado de alerta.
Por exemplo:
- Se tens várias tarefas com prazos apertados e sentes tensão, irritabilidade e dificuldade em dormir, podes estar a viver uma resposta de stress.
- Se o trabalho terminou, mas continuas a pensar que cometeste algum erro, que serás criticada ou que algo correrá mal, a ansiedade poderá estar a manter a ativação.
- Se tens uma situação exigente e, ao mesmo tempo, começas a antecipar consequências negativas, podes estar a sentir stress e ansiedade em simultâneo.
A diferença nem sempre depende daquilo que sentimos, porque os sintomas podem ser muito semelhantes. Depende também daquilo que desencadeia e mantém esses sintomas.
Quais são os sintomas mais frequentes?
Tanto o stress como a ansiedade podem provocar:
- tensão muscular;
- dores de cabeça;
- coração acelerado;
- desconforto abdominal;
- alterações do apetite;
- dificuldade em dormir;
- cansaço;
- irritabilidade;
- inquietação;
- dificuldade de concentração;
- pensamentos repetitivos;
- sensação de estar constantemente em alerta.
Na ansiedade, podem ser particularmente frequentes a antecipação do pior, a dificuldade em tolerar a incerteza, o medo persistente e o evitamento de situações.
No stress, pode existir uma sensação mais evidente de sobrecarga: demasiadas tarefas, exigências ou problemas para os recursos e o tempo disponíveis.
Porque é que o stress pode transformar-se em ansiedade?
Quando vivemos sob pressão durante muito tempo, o organismo pode habituar-se a permanecer num estado de alerta elevado.
Mesmo nos momentos em que não existe nada urgente para resolver, podemos continuar tensos, preocupados e incapazes de desligar. A mente começa a antecipar o próximo problema antes de o problema existir.
Além disso, algumas estratégias utilizadas para reduzir o desconforto no imediato podem mantê-lo a longo prazo. Evitar situações, adiar decisões, verificar tudo repetidamente ou procurar garantias constantes pode trazer alívio momentâneo, mas também reforçar a ideia de que não conseguiríamos lidar com a situação sem essas estratégias.
Aprender formas mais ajustadas de regulação emocional não significa eliminar toda a ansiedade ou stress. Significa compreender estas respostas e escolher como agir, em vez de reagir automaticamente.
O que pode ajudar?
O primeiro passo é tentar perceber o que está a acontecer:
- Existe uma situação concreta a provocar esta resposta?
- A preocupação diminui quando o problema é resolvido?
- Continuo em alerta mesmo quando não existe nada urgente?
- Estou a evitar situações por medo daquilo que poderá acontecer?
- Consigo descansar ou a minha mente continua sempre ocupada?
- Estes sintomas estão a limitar a minha vida?
Quando existe stress, pode ser necessário reorganizar tarefas, reduzir exigências, pedir ajuda ou estabelecer limites.
Quando predomina a ansiedade, pode ser importante trabalhar a antecipação, a intolerância à incerteza, o evitamento e a forma como interpretamos as sensações físicas e os acontecimentos.
Quando procurar ajuda?
Não precisas de saber se aquilo que sentes é “ansiedade ou stress” antes de procurar apoio.
Pode ser importante pedir ajuda quando:
- os sintomas persistem durante várias semanas;
- a preocupação é difícil de controlar;
- o sono está frequentemente alterado;
- sentes que já não consegues recuperar;
- começas a evitar pessoas, lugares ou responsabilidades;
- o trabalho, as relações ou a vida familiar são afetados;
- tens crises de ansiedade ou medo intenso;
- aquilo que tens tentado fazer não está a ajudar.
Como alguns sintomas físicos podem ter outras causas, é importante procurar avaliação médica quando são novos, intensos, persistentes ou preocupantes.
O acompanhamento psicológico pode ajudar-te a compreender aquilo que desencadeia e mantém o stress ou a ansiedade e a desenvolver estratégias adaptadas à tua realidade.
Cuidar da saúde mental não significa eliminar todas as dificuldades. Significa reconhecer quando o esforço para lidar com elas começa a tornar-se demasiado pesado.
Se sentes que a ansiedade ou o stress estão a ocupar demasiado espaço na tua vida, posso ajudar-te a compreender o que se está a passar e a encontrar formas mais ajustadas de lidar com isso.
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